10ª Mostra

A Mos­tra Cur­ta Audi­o­vi­su­al com­ple­tou dez anos e se for­ta­le­ceu como um dos prin­ci­pais even­tos dedi­ca­dos ao cur­ta-metra­gem na Região Metro­po­li­ta­na de Cam­pi­nas. A Mos­tra, que acon­te­ce des­de 2006 na cida­de, ofe­re­ceu uma exten­sa e diver­si­fi­ca­da pro­gra­ma­ção e con­tou pelo segun­do ano con­se­cu­ti­vo com apoio do Pro­gra­ma de Ação Cul­tu­ral do Esta­do de São Pau­lo (Pro­AC).

Foram dez anos empe­nha­dos na demo­cra­ti­za­ção audi­o­vi­su­al, na capa­ci­ta­ção e na for­ma­ção de públi­co para o for­ma­to cur­ta-metra­gem, come­mo­ra­ção que nos levou a refle­tir sobre as con­quis­tas obti­das e os desa­fi­os ain­da enfren­ta­dos. Em sua tra­je­tó­ria a Mos­tra exi­biu mais de 750 cur­tas-metra­gens, pas­sou por dife­ren­tes equi­pes, par­ce­ri­as, apren­di­za­dos e rea­li­za­ções, pre­sen­ci­an­do os sig­ni­fi­ca­ti­vos avan­ços tec­no­ló­gi­cos da últi­ma déca­da.

Na nova era da comu­ni­ca­ção, em que as prin­ci­pais mídi­as são influ­en­ci­a­das pela inter­net, o cur­ta-metra­gem bra­si­lei­ro rein­ven­tou sua esté­ti­ca, nar­ra­ti­va e lin­gua­gem res­sig­ni­fi­can­do e difun­din­do a diver­si­da­de cul­tu­ral do país por novos mei­os. Aos fes­ti­vais fica o desa­fio de refle­tir sobre o seu papel nes­te novo con­tex­to e bus­car as saí­das mais cri­a­ti­vas de ação para manu­ten­ção de seus públi­cos.

Em 2016 as cele­bra­ções se ini­ci­a­ram com um calen­dá­rio de ações pré-mos­tra, con­ver­ten­do a con­di­ção de even­to pon­tu­al (edi­ção anu­al) em ati­vi­da­des dis­tri­buí­das ao lon­go do ano jun­to à rede de par­cei­ros. A arti­cu­la­ção com outros gru­pos for­ta­le­ce ini­ci­a­ti­vas inde­pen­den­tes, apro­xi­ma o públi­co, e tor­na os cur­tas-metra­gens obje­tos cul­tu­rais ain­da mais pre­sen­tes.

Em sua déci­ma edi­ção a Mos­tra bateu o recor­de de fil­mes ins­cri­tos: foram 365 tra­ba­lhos de todo o Bra­sil dos quais foram sele­ci­o­na­dos 61 para inte­grar a pro­gra­ma­ção, além dos fil­mes espe­ci­al­men­te con­vi­da­dos. Para a cerimô­nia de aber­tu­ra uma retros­pec­ti­va reu­niu alguns des­ta­ques dos cur­tas exi­bi­dos ao lon­go da his­tó­ria da Mos­tra. Tal sele­ção bus­cou tra­zer a diver­si­da­de de lin­gua­gens que pas­sa­ram por nos­sas telas e que tra­zem refle­xões sobre as tec­no­lo­gi­as e os mei­os de comu­ni­ca­ção.

A pro­gra­ma­ção de exi­bi­ções con­tou com o Pano­ra­ma naci­o­nal, no qual as ses­sões foram nome­a­das em home­na­gem a algum anti­go cine­ma de rua de Cam­pi­nas, visan­do o res­ga­te do patrimô­nio cul­tu­ral do muni­cí­pio; o Pano­ra­ma regi­o­nal, com ses­sões segui­das de bate-papos medi­a­dos pela equi­pe da mos­tra, visan­do poten­ci­a­li­zar a tro­ca de conhe­ci­men­tos sobre as prá­ti­cas audi­o­vi­su­ais de dife­ren­tes auto­res da região; e pro­gra­mas espe­ci­ais como a mos­tra infan­til Mos­tri­nha e a mos­tra Lati­na.

Ain­da na pro­gra­ma­ção espe­ci­al, vin­do de encon­tro com o con­tex­to e as dis­cus­sões de gêne­ro mais atu­ais, des­ta­ca­mos a impor­tân­cia do equi­lí­brio entre os gêne­ros no audi­o­vi­su­al atra­vés de uma ses­são inti­tu­la­da Que­ri­da, que exi­biu somen­te fil­mes diri­gi­dos por mulhe­res. Nos­so dese­jo foi  pro­vo­car os olha­res e pos­si­bi­li­tar o des­ta­que para rea­li­za­do­ras, além de deba­ter os papéis e espa­ços geral­men­te ocu­pa­dos (ou não) pelas mulhe­res no audi­o­vi­su­al.

Dan­do sequên­cia às ações ini­ci­a­das em outros anos, saí­mos da tra­di­ci­o­nal sala de cine­ma para ocu­par pra­ças públi­cas, bares e espa­ços cul­tu­rais alter­na­ti­vos da cida­de com o pro­pó­si­to de pro­mo­ver encon­tros entre públi­co, pro­du­to­res e estu­dan­tes em uma atmos­fe­ra mais leve, lúdi­ca e agre­ga­do­ra. Para as ses­sões ao ar livre foi pro­por­ci­o­na­da a expe­ri­ên­cia de assis­tir um fil­me com­bi­na­do a outra ati­vi­da­de, atra­vés da rea­li­za­ção de inter­câm­bi­os cul­tu­rais com outras lin­gua­gens artís­ti­cas como músi­ca, artes cêni­cas e eco­no­mia cri­a­ti­va, que trans­for­ma­ram e enri­que­ce­ram a expe­ri­ên­cia.

Alguns dos fil­mes da pro­gra­ma­ção con­ta­ram com exi­bi­ção acom­pa­nha­da de audi­o­des­cri­ção – recur­so de aces­si­bi­li­da­de para pes­so­as com defi­ci­ên­cia visu­al ou bai­xa visão – e inter­pre­ta­ção em LIBRAS. O intui­to des­te tra­ba­lho não é ape­nas garan­tir o aces­so e a auto­no­mia de pes­so­as com defi­ci­ên­cia, mas pro­mo­ver ao públi­co em geral a expe­ri­ên­cia de uma ses­são aces­sí­vel de cine­ma.

As dis­cus­sões mais atu­ais den­tro do cená­rio audi­o­vi­su­al bra­si­lei­ro tive­ram espa­ço garan­ti­do ao lon­go da Mos­tra. Foram diver­sos bate-papos como a par­ti­ci­pa­ção da mulher no cine­ma, midi­a­li­vris­mo,  cura­do­ri­as de fes­ti­vais, além de uma pales­tra sobre a Agên­cia Naci­o­nal de Cine­ma que dis­cor­reu sobre as suas for­mas de incen­ti­vo.

As ati­vi­da­des for­ma­ti­vas con­tem­pla­ram três ofi­ci­nas prá­ti­cas: Ani­ma­ção de recor­tes para cri­an­ças, Pro­du­ção de fil­mes, e, Intro­du­ção ao video-map­ping; dois mas­ter­clas­ses com a Aca­de­mia Inter­na­ci­o­nal de Cine­ma, reno­ma­da esco­la de cine­ma que é par­cei­ra da mos­tra pelo ter­cei­ro ano: Dire­ção de foto­gra­fia no cine­ma inde­pen­den­te e Do Rotei­ro de fic­ção ao de docu­men­tá­rio.

Com tal pro­gra­ma­ção a Mos­tra cri­ou mais do que uma jane­la de exi­bi­ção, mas uma pla­ta­for­ma de encon­tros visan­do o for­ta­le­ci­men­to de redes, a rea­li­za­ção de ações de for­ma­ção e qua­li­fi­ca­ção e, a pro­mo­ção de inter­câm­bi­os cul­tu­rais. A pro­pos­ta é cri­ar um espa­ço com tro­cas de expe­ri­ên­ci­as e vivên­ci­as com inten­so networ­king.

Cam­pi­nas é uma cida­de que tem um poten­ci­al enor­me de pro­du­ção e a Mos­tra é um dos espa­ços cri­a­dos espe­ci­al­men­te para exi­bir e dis­cu­tir este poten­ci­al. E, nes­te está­gio de ama­du­re­ci­men­to e re-des­co­bri­men­to, visa ampli­ar seu ter­ri­tó­rio de ação for­ta­le­cen­do ain­da mais o cená­rio da pro­du­ção local ao mes­mo tem­po em que pro­je­ta Cam­pi­nas em âmbi­to naci­o­nal.

Des­ta vez rea­li­za­da em Setem­bro, a Mos­tra Cur­ta Audi­o­vi­su­al trans­for­mou Cam­pi­nas no ter­ri­tó­rio do cur­ta-metra­gem duran­te os dez dias de pro­gra­ma­ção.

 

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