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Videodança & Videoarte

Curadoria: Babi Fontana

Escutar com o corpo inteiro talvez seja a forma mais profunda de reverberar. Escutar não como ouvir, mas como gesto de perceber presenças. Reverberar pelo corpo, pelo rito, pela diferença, pela oralidade, pelo gesto.O modo como concebemos esta sessão não foi o de uma sucessão linear de filmes, embora seja assim que ela será vivida, mas o de uma reverberação das presenças que esses filmes causam uns nos outros.


A sessão reúne 12 trabalhos de diferentes regiões do Brasil, incluindo produções de Campinas. Embora composta por obras brasileiras, a sessão também atravessa outros territórios, como Cuba, onde se passam duas das narrativas selecionadas.


A reverberação aparece aqui como uma presença que continua encontrando outros corpos para existir. Ancestralidade, presente e futuro não se sucedem; convivem. Atualizam-se mutuamente. Essa escuta reverbera nas memórias inscritas nos corpos, nas paisagens, nos rituais, nas tecnologias, nas imagens e nos infinitos modos de perceber o mundo.


Desejo que esta sessão também reverbere em vocês. Que o gesto — hoje tão precioso — de nos reunirmos para assistir a filmes juntes continue produzindo presenças. Como um gesto que antecede o movimento. Como uma imagem que permanece vibrando na seguinte. Como um corpo que continua atravessando outro, mesmo depois de desaparecer do quadro.

 

VIDEODANÇA & VIDEOARTE

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Atos

Vitória Tavares

Local de Produção:

São Bernardo do Campo (SP)

Ano de Produção:

2025

Classificação Etária Livre

Duração:

8'

Sinopse:

Em uma dança pulsante, cada ato é uma forma de sentir a relação entre corpo, cidade, tempo e mata. Uma investigação sensível sobre os limites e encontros entre natureza e humanidade.

Frame horizontal em plano médio de uma mulher negra junto ao mar. No centro da tela, de costas com os ombros torcidos em nossa direção, uma mulher negra de cabelos pretos e crespos num corte black power. Usa camiseta de alça cinza, tem o braço direito dobrado e levantado até a altura da cabeça, a mão esquerda surge na altura da axila direita. Olha por cima do ombro direto em nossa direção. Ao fundo o mar azul calmo e um mar de morros cobertos de mata.

Dia, horário e local da sessão:

23/09, 19h, Fêmea Fábrica

Câmera Obscura

Bruno Fernandes

Local de Produção:

Campinas (SP)

Ano de Produção:

2024

Classificação Etária 10 anos

Duração:

10'

Sinopse:

Que movimentos habitam o vazio? Que danças podem emergir de corpos que adentram lugares abandonados e coabitam o silêncio, os grafites, os morcegos, as plantas pioneiras? Uma câmera obscura registra uma dança de possíveis passados e prováveis futuros — rastros de existências que, como fantasmas, comunicam-se por imagens enigmáticas, perturbam o tempo presente e convidam o observador a desvelar o que foi esquecido.

Frame horizontal de pessoas dançando num prédio abandonado. Ao fundo de um corredor de paredes de concreto pichadas, em uma abertura retangular, duas pessoas de perfil. Uma com uma perna à frente da outra, tem seu tronco inclinado noventa graus e com os dois braços esticados, apoia duas mãos na parede. A outra, tem o peito completamente apoiado sobre as costas da primeira, seus braços esticados apontam para o chão, enquanto suas pernas altas apoiam na parede.

Dia, horário e local da sessão:

23/09, 19h, Fêmea Fábrica

Trailer:

DeNegrir

Karine Lima

Local de Produção:

Rio de Janeiro (RJ)

Ano de Produção:

2025

Classificação Etária Livre

Duração:

1'

Sinopse:

O corpo é gatilho. A mira, o português na sua boca. DeNegrir faz a dura na língua portuguesa e reivindica a narrativa sobre as conotações relacionadas à negritude. Um ritual pra desconjurar o racismo que vive na palavra.

Frame horizontal de um homem negro se olhando ao espelho. Visto por cima de seu ombro direito, reflexo de um homem negro num grande espelho circular que o mesmo segura com as mãos. Tem longos dreads soltos na altura dos ombros, argolas douradas adornam seus cabelos. Tem bigode e barba curtos, usa camisa e terno preto. No pescoço  um colar dourado. Se encara com seriedade.

Dia, horário e local da sessão:

23/09, 19h, Fêmea Fábrica

Diáfanos

Sociedade T / Julios Filmes

Local de Produção:

Natal (RN)

Ano de Produção:

2025

Classificação Etária Livre

Duração:

4'

Sinopse:

Diáfanos é uma vídeodança que apresenta duas figuras surrealistas que realizam uma travessia no espaço urbano. Transitórias, incertas e vagas, essas figuras usam um tempo dilatado ao fazer composições com a cidade e ampliar o fluxo pela urbe.

Frame horizontal de dois homens nuvens na beira do mar. Vistos de frente, sentados na areia da praia, um ao lado do outro, duas pessoas de roupa social. O da esquerda, veste conjunto de camisa, blazer e calça cinza, usa sapato branco. O da direita, camisa rosa, blazer vermelho e calça laranja, usa sapato marrom. Ambos têm, no lugar da cabeça, grandes nuvens brancas fofas como algodão. Atrás deles a espuma das ondas quebrando na areia e mais ao fundo o mar e o céu azul.

Dia, horário e local da sessão:

23/09, 19h, Fêmea Fábrica

Dádiva Proteica

Well Darwin

Local de Produção:

São Bernardo do Campo (SP)

Ano de Produção:

2026

Classificação Etária Livre

Duração:

3'

Sinopse:

Em uma paisagem urbana vista de cima, figuras anônimas se movem como sombras, presas a uma rotina automática. Inspirado nas ideias de João Barrento, o filme propõe uma ruptura do olhar: o banal se torna estranho, aberto ao inesperado. Sem respostas prontas, a obra convida o espectador a habitar silêncios e ambiguidades, transformando o cotidiano em experiência de assombro.

Frame horizontal de pessoas num calçadão. Visto de cima, um calçadão de bloquetes se desmancha, esfumado, similar a pinceladas brancas, pretas e azuis. Na paisagem silhuetas pequeninas de seis pessoas dispersas, um cachorro e um gato. No chão à direita, sombra das copas das árvores.

Dia, horário e local da sessão:

23/09, 19h, Fêmea Fábrica

EXU MULHER

Doroti Martz

Local de Produção:

Barreirinhas (MA)

Ano de Produção:

2025

Classificação Etária 16 anos

Duração:

7'

Sinopse:

Exu Mulher é um convite para contra colonizar a concepção que a divindade Exu é masculina. Se Exu é a divindade que mobiliza a energia vital de todas as coisas, e guarda o axé, poderia ele então ser uma mulher que gesta a vida no seu útero-ventre? Exu Mulher é a dona do corpo, ela é a força que concentra a energia, âncora e traz e materialidade a todas as coisas. Concentra para depois espalhar vida pelo cosmo, ela gira sobre o próprio eixo com os pés fincados no chão, parindo o axé em diversas direções. Exu e Exu mulher caminham juntos, numa dança de criação, comunicação e caminhos.

Frame horizontal de exu entre fumaças. Em ambiente fechado e escuro com paredes de tijolo à vista, uma mulher vista de frente. Tem longos dreads semi presos no alto da cabeça, o rosto está coberto por um lenço. Usa top preto e saia longa vermelha. Tem as pernas abertas levemente flexionadas e com o braço direito se apoia num cajado de madeira retorcida, enquanto com a mão esquerda suspende um defumador de metal que espalha fumaça pelo ambiente.

Dia, horário e local da sessão:

23/09, 19h, Fêmea Fábrica

Los Jimaguas

Amanda Vázquez e Carlos Cipriano

Local de Produção:

Goiás (GO)

Ano de Produção:

2026

Classificação Etária 10 anos

Duração:

10'

Sinopse:

Atraídos por uma voz triste, os gêmeos ficam presos em um labirinto e caem sob o feitiço da Morte, condenados a dançar. Em um duelo ritual, transformam o movimento em resistência enquanto tentam reverter o feitiço.

Frame horizontal de duas pessoas negras em um longo corredor. Em primeiro plano, visto de costas da cintura para cima, um homem negro de cabeça raspada sem camisa, tem a mão esquerda apoiada nas costas com o braço esquerdo formando um triângulo na lateral do corpo, por onde se vê sua mão direta espalmada sobre o cotovelo esquerdo. Ao fundo do corredor ligeiramente curvo, uma figura feminina desfocada, usa um longo vestido branco e está apoiada na parede olhando para o alto.

Dia, horário e local da sessão:

23/09, 19h, Fêmea Fábrica

Trailer:

Monumento Aleijado

Céu Vasconcelos

Local de Produção:

Fortaleza (CE)

Ano de Produção:

2025

Classificação Etária Livre

Duração:

12'

Sinopse:

Um corpo que caminha e aleija a cidade com sua grande prótese. Se outrora corpos com deficiência eram silenciados e invisibilizados, hoje, aqui, eles se expandem, criando presenças vivas, errantes, monumentais e poéticas.

Frame horizontal de um monumento em praça pública. Visto frontalmente, um monumento de pedestal de concreto piramidal com diferentes patamares. No primeiro patamar, duas onças de concreto voltadas uma para a esquerda e outra para a direita. No segundo patamar um performer com rosto e corpo coberto voltado para nós com uma longa manga branca estendendo-se do seu braço esquerdo até o chão. No último patamar, no topo do monumento uma escultura dourada de um homem de túnica sentado. Ao fundo árvores, transeuntes e ônibus urbanos.

Dia, horário e local da sessão:

23/09, 19h, Fêmea Fábrica

Nuvem

Diogo Angeli

Local de Produção:

Campinas (SP)

Ano de Produção:

2025

Classificação Etária Livre

Duração:

5'

Sinopse:

NUVEM é uma videodança criada a partir da técnica de nuvem de pontos, que explora os limites da forma e da presença no espaço digital. Pontos dispersos se atraem como partículas em suspensão, guiadas por forças invisíveis que os organizam em corpos efêmeros — corpos-nuvem que emergem e se desfazem em constante mutação. A obra constrói uma paisagem sensorial onde o movimento não é apenas coreográfico, mas também magnético. Como se um campo de energia magnética invisível mantivesse os corpos em estado de flutuação, NUVEM convida o espectador a mergulhar nesse universo rarefeito, onde os contornos do corpo são voláteis, e o tempo se estende em lentas transformações.

Frame horizontal de imagem digital. Em ambiente escuro, com leve luz esverdeada, do contorno de uma fenda emerge uma figura humana da parte inferior direita da tela. Verde e sem rosto, uma figura feminina de cabelos lisos na altura dos ombros tem a cabeça tombada sobre o ombro esquerdo e os braços estendidos na direção oposta. Seu corpo tem textura de casca de árvore com ondulações como de uma pedra que cai no rio.

Dia, horário e local da sessão:

23/09, 19h, Fêmea Fábrica

RELÓGIO (o big bang do apocalipse)

R. Fonte Mutt

Local de Produção:

Brasília (DF)

Ano de Produção:

2025

Classificação Etária Livre

Duração:

4'

Sinopse:

Utilizando a metáfora do "relógio cósmico", o filme mostra o surgimento do universo, o início da vida no planeta Terra e a trajetória da vida humana até a chegada do big bang do apocalipse.

Frame horizontal da animação de um relógio. Visto de uma suave diagonal, um grande relógio ocupa a tela. Do centro, dois grandes ponteiros, um levemente menor que o outro, apontam para o canto inferior direito da tela. O contorno do relógio é uma grande espiral de números romanos marrons sobre fundo preto.

Dia, horário e local da sessão:

23/09, 19h, Fêmea Fábrica

Retrato de Outono

Owen Kane França de Castro

Local de Produção:

Maricá (RJ)

Ano de Produção:

2025

Classificação Etária Livre

Duração:

3'

Sinopse:

Diante da câmera, um corpo dança o inevitável ciclo do desapego. Retrato de Outono é uma videodança autorreferencial que transforma o declínio da estação em um ensaio sobre a própria criação artística. Uma coreografia de memórias, folhas caídas e reenquadramentos, onde o bailarino Owen Kane investiga as marcas do tempo em sua própria carne e a imagem que projeta de si mesmo.

Frame horizontal de mulher em um corredor com pixos. Ao centro, de perfil, uma mulher branca de cabelos cacheados longos e ruivos, usa camiseta preta, calça xadrez vermelha e tênis preto. Tem a coluna envergada para trás, formando um semicírculo com o corpo. Seus longos cabelos cacheados pendem pra baixo, enquanto sua mão direita se estica paralela ao solo. Ao fundo uma parede branca com pixos em azul, preto e vermelho com nomes próprios, datas e um desenho estilizado de uma câmera de filmagem formada por um retângulo com dois círculos um ao lado do outro no topo.

Dia, horário e local da sessão:

23/09, 19h, Fêmea Fábrica

saudade é reza

Ariel Vieira

Local de Produção:

Porto Seguro (BA)

Ano de Produção:

2025

Classificação Etária Livre

Duração:

7'

Sinopse:

Em um tom íntimo e melancólico, o filme narra o amanhecer após uma perda. tomada pela lembrança de um amor ausente, ariel nos conduz por seu luto. entre memórias compartilhadas — canções de elza soares, conversas, sonhos de futuro e promessas de afeto — a ausência de rafa bebiano se revela como um vazio irreparável. o mar, o vento e o céu se tornam testemunhas silenciosas de uma dor que é também poesia. um lamento sutil sobre o amor, a perda e a tentativa de seguir adiante quando o coração ainda mora no passado.

Frame quadrado de duas mulheres sentadas. Em plano médio, duas mulheres vistas do joelho para cima, tomam toda a tela. À da esquerda é negra de pele clara, tem cabelos pretos, crespos em black power, usa grandes brincos de argola, veste uma camiseta preta com alças douradas e shorts curto listrado. Olha para frente e segura a mão de sua amiga em seu colo. À esquerda, apoiada sobre o ombro direito da amiga, uma mulher branca de cabelos loiros, compridos e cacheados, usa camiseta de futebol azul com o símbolo da nike à esquerda do peito em amarelo, usa calcinha amarela e tem o olhar perdido em direção ao lado esquerdo da imagem.

Dia, horário e local da sessão:

23/09, 19h, Fêmea Fábrica

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